O passaporte Italiano é muito cobiçado pelos descendentes italianos do Brasil
Mudanças introduzidas em 2025 impactaram diretamente sul-americanos: brasileiros e argentinos, que somam mais de 90% dos processos via ius sanguinis, foram os mais afetados pela queda.
O cerco fechou para quem busca o passaporte vermelho pelo caminho da ancestralidade. O número de concessões de cidadania italiana por direito de sangue (ius sanguinis) registrou uma queda drástica de 41,6% em 2025, segundo dados revelados nesta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística da Itália (Istat).
Na prática, o volume de reconhecimentos caiu de quase 22 mil em 2024 para menos de 13 mil registros no ano passado. A forte redução é o reflexo direto das recentes reformas promovidas pelo governo da primeira-ministra Giorgia Meloni, que impuseram filtros e critérios bem mais rígidos para a transmissão da cidadania a descendentes nascidos no exterior.
O impacto direto no Brasil e na Argentina
A mudança legislativa atingiu em cheio a América do Sul. Segundo o relatório Cittadini non comunitari in Italia – Anno 2025, divulgado pelo Istat, brasileiros e argentinos concentram quase 91% das aquisições de cidadania italiana por descendência.
Com as novas exigências, ambas as nacionalidades perderam postos no ranking geral de novos cidadãos italianos. Embora continuem figurando entre as dez principais origens, a participação de sul-americanos recuou visivelmente em comparação com a média dos anos anteriores.
O que mudou na lei
A virada de chave começou com a publicação do Decreto-Lei nº 36, de março de 2025, convertido posteriormente na Lei nº 74/2025.
Antes dessa reforma, o modelo italiano era um dos mais abrangentes do mundo: não havia limite geracional para a transmissão do ius sanguinis, exigindo-se apenas a comprovação documental da linha direta até o antepassado italiano.
Com a nova legislação, o governo italiano estabeleceu limites claros e critérios mais estritos vinculados à nacionalidade de pais e avós, além de condicionantes adicionais para barrar a transmissão ilimitada da cidadania para gerações já desvinculadas da vida no país.
Nota: O levantamento do Istat reflete os registros oficializados no país e não engloba a totalidade de pedidos pendentes em consulados ou em trâmite na Justiça italiana, o que significa que o represamento global de processos pode ser ainda maior.
Queda geral nas concessões
A retração no ius sanguinis acabou puxando para baixo o balanço geral de concessões de cidadania na Itália. Em 2025, o país registrou um total de 196.955 novos cidadãos italianos (somando todas as modalidades, como tempo de residência e casamento) — uma redução de 9,4% em relação ao patamar de 2024, quando mais de 217 mil pessoas haviam obtido o documento.
Baseado em informações do Site Italianissimo.


