Benjamin Netanyahu Foto: Reuters/Eduardo Munoz
Na última quarta‑feira, 23 de julho de 2025, o Ministério das Relações Exteriores — por meio do Itamaraty — oficializou a entrada formal do Brasil como estado intervindo no processo que a África do Sul move contra Israel na Corte Internacional de Justiça (CIJ), sediada em Haia, por acusações de genocídio contra a população palestina.
1. Por que o Brasil se somou ao processo
O governo brasileiro justificou sua decisão com base na Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio de 1948, argumentando que há plausibilidade de que os direitos dos palestinos estejam sendo irremediavelmente violados. O Itamaraty destacou:
- o uso da fome como arma de guerra;
- massacres de civis, especialmente mulheres e crianças;
- ataques a infraestrutura civil, incluindo locais religiosos e instalações da ONU;
- violência de colonos extremistas na Cisjordânia.
2. O papel do chanceler Mauro Vieira
Em entrevista à Al Jazeera no contexto da cúpula dos BRICS, o eminente chanceler Mauro Vieira disse que o país optou por intervir após esgotar ações diplomáticas de mediação, afirmando: “Estamos trabalhando nisso, e você terá essa boa notícia em muito pouco tempo”. A formalização da adesão foi concluída em 23 de julho.
3. Contexto político e diplomático
- A África do Sul apresentou a ação original em Haia em dezembro de 2023, com o processo em andamento desde então.
- O Brasil agora se une a outros países que já manifestaram apoio, como Bolívia, Colômbia, Líbia, Espanha, México, Turquia, Chile, Cuba, entre outros.
- A medida representa uma intensificação da postura brasileira, que desde 2024 classifica a ofensiva israelense como “genocídio” e denuncia uma crise humanitária que coloca vida em risco nas áreas sob ataque.
4. Repercussões e reações previstas
- A adesão oficial deve tensionar ainda mais as relações Brasil–Israel e pode desencadear medidas de retaliação diplomática e comercial.
- Internamente, provoca debates sobre a necessidade de adotar postura mais firme — incluindo eventuais cortes nas relações comerciais ou cooperação militar com Israel.
- Já no plano internacional, a intervenção brasileira dá “grande peso político e jurídico” ao movimento global que busca responsabilizar Israel, conforme destacou o embaixador palestino em Brasília
